Elas

A novas fronteiras da diversidade

Por Beatriz Pinho | 02 de junho, 2016

Já faz um tempo que o BuzzFeed publicou um vídeo que mostrava como o padrão de beleza feminino e seus tipos ideais de corpos se transformam radicalmente ao longo da história. De 3.000 anos pra cá, ora foram as curvas que ganharam espaço, ora os corpos finos e retilíneos, por vezes se desejou ter uma pele bem branca e clara, e em outros momentos tudo o que se queria era um bronzeado perfeito.

E atrás de seios turbinados ou miúdos, bumbum pra cima, durinho ou arredondado, barriga chapada ou cintura sinuosa, a maioria das mulheres vive constante, inconsciente e loucamente em busca dessa adequação aos arquétipos vigentes.

Os padrões que se estabelecem e que a indústria costumeiramente vende, no entanto, não estão lá muito próximo do que normalmente a genética oferece por aí. E o que fica difícil mesmo de entender, com tanta coisa que a mídia e nós mesmas enfiamos na nossa cabeça, é que não tem absolutamente nada de errado nisso. Somos diferentes, afinal, e a graça está justamente aí.

A boa notícia é que muitas pessoas já vêm abrindo os olhos para esse fato de a beleza não deve ser uma ditatura, mas sim um conceito democrático. É claro que nunca iremos entrar em um senso comum a respeito do que se considera belo ou não. Desde os tempos pré-socráticos a discussão sobre a concepção da beleza rola solta e nunca ninguém chegou em acordo nenhum. Mas o fato é que - enfim -, essa busca adoidada, e muitas vezes imprudente, por um padrão de beleza incoerente e sem fundamento vem acabando. O estudo The Future 100 Trends and Change to Watch in 2016 já nos conta: “As barreiras da diversidade na moda e no marketing estão atingindo novos limites, ou talvez até quebrando-os completamente. Trata-se de um movimento generalizado rumo à celebração do triunfo de individualidades numa sociedade que frequentemente evita ou discrimina aqueles que são diferentes.”

Perseguir formas e medidas ínfimas nós já sabemos que não é algo fácil e muito menos necessário. Foi descoberta e beleza particular que existe em cada um e, daqui pra frente, ela será cada vez mais motivada a ser explorada, não mais esculpida. Faz bem. Já era hora da tomada de consciência da ampla e bela gama de diversidade que nos cerca. Finalmente, chegamos ao momento da criação de um apetite positivo ao individualismo e da celebração de múltiplas visões de beleza. Que essa ideia siga firme e forte, atingindo ainda muitas e muitas outras esferas.