São Paulo, Moda

Roupateca: Economia e Moda Compartilhada

Por Beatriz Pinho | 20 de maio, 2016

Em tempos de questionamento sobre o que, de quem e por que compramos, novas formas de se praticar o consumo são muitíssimo bem-vindas. E foi por esse e outros motivos que amamos tanto a proposta da Roupateca.

O empreendimento, que fica dentro da ‘House of Bubbles’, localizada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e que já está prestes a completar seus seis meses de vida, funciona praticamente como uma biblioteca, só que ao invés de livros, oferece roupas. É como se fosse um grande e maravilhoso guarda-roupa compartilhado e que, dependendo se a sua assinatura for de R$100,00, R$200,00, ou R$300,00 por mês, permite que você pegue uma, três ou seis peças por vez. Você pode ficar com elas por até 10 dias e, durante esse período, trocar por uma nova peça ou leva até três vezes.

Look novo, como você pode ver, é o que não vai faltar. Só que nesse caso, eles são incorporados de forma muito mais consciente. Isso, porque demonstra-se que é muito mais coerente e sustentável viver a experiência do acesso, ao invés de ter de comprar tudo o que se pretende usar.

Ainda mais quando esse acesso diz respeito a um acervo com uma curadoria super cuidadosa e criteriosa sobre as peças, em que não é simplesmente a marca que importa, mas sim seu caimento, acabamento e atemporalidade. Por lá, se evita fast-fashion, a preferência é por peças duráveis. Além disso, o guarda-roupa é renovado praticamente todos os dias, pois qualquer pessoa pode colaborar, contanto, é claro, que a roupa seja de qualidade e esteja em perfeito estado de uso. Super democrático!

As criadoras da Roupateca, Dani Ribeiro e Nathalia Roberto, inspiraram-se nas primeiras bibliotecas fashion do mundo para criarem a sua própria: a LENA, em Amsterdam, e a Kleiderei, em Hamburgo. Foram além, no entanto, ao instalarem, no mesmo estabelecimento, uma lavanderia self-service. Conveniente e útil, já que todas as peças emprestadas devem ser devolvidas lavadinhas, garantindo sua qualidade.

A ideia da Roupateca nos abre os olhos para um problema já nos dando uma solução. Num cenário onde prevalece a demanda desenfreada e inconsequente por bens, nos deparamos com a possibilidade de uma relação muito mais saudável com o consumo, em que podemos valorizar mais o usufruir do que o possuir. Esse usufruir pode ainda nos incentivar a experimentar novos estilos, que talvez não nos arriscaríamos a provar caso tivéssemos que comprar as peças. É um estímulo para nos sentirmos mais livres para ousar e explorar novas possibilidades com o vestir, e menos preocupadas com as consequências irreversíveis que a cadeia produtiva da moda pode causar.